ASPECTOS HISTÓRICOS DA FEDERAÇÃO DE FUTEBOL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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O futebol no Estado do Rio de Janeiro traz na sua história singularidades que o distinguem das demais unidades federativas do país. Os primórdios do futebol carioca confunde-se com a introdução do ‘Football‘ como esporte no Brasil e, à reboque da criação dos clubes, aparecem as Ligas, expressão natural da organização esportiva regional.

No final do século XIX, surgem os primeiros clubes esportivos na capital da República – Rio de Janeiro – que incluíam a prática do futebol entre seus associados. Em sua maioria, os clubes tinham sua origem entre as elites bairristas, representadas pelas famílias de imigrantes ingleses, portugueses, italianos e alemães que se espelhavam nos clubes da terra natal para criarem os clubes locais, como o Paysandu Cricket Club e o Rio Cricket and Athletic Association, ambos criados em 1872. A primeira bola – e, consequentemente, a primeira partida de futebol que se tem notícia no Rio de Janeiro – apareceu em Bangu, no ano de 1894. Neste bairro, localizavam-se fábricas de tecidos que utilizavam mão de obra especializada estrangeira, em sua maioria, inglesa. Consta que um desses técnicos têxteis, o escocês chamado Thomas Donohoe, apaixonado por football e impossibilitado de jogar com seus companheiros de fábrica por não haver para vender na cidade – e no Brasil – os equipamentos básicos necessários para a prática do esporte, voltou à Inglaterra para trazer a tão desejada bola, o bico para enchê-la e chuteiras. Nos dias de folga, reuniam-se os ingleses, não mais para aprenderem algum instrumento musical ou andar de bicicleta, mas para se divertirem jogando o football. Porquanto este fato seja uma alternativa histórica, oficialmente, credita-se ao paulista Charles Miller a introdução do futebol no Brasil, em 1894, e a Oscar Cox a apresentação da primeira pelota aos brasileiros. Segundo Sérgio Marinho Barbosa,

"O futebol só começou a ter estímulo, no Rio de Janeiro, com a fundação do Rio Cricket, na Praia Grande, em Niterói. Logo se começou a prática do futebol, em Icaraí. Mas não havia gente suficiente para reunir dois times completos. Foi preciso que os sócios do Paysandu organizassem o seu conjunto, para que nascessem as primeiras competições mais sérias, predominantemente entre ingleses."

Com o estímulo do inglês Oscar Cox, pai de George Emmanuel Cox fundador do Rio Cricket, em Niterói, e a criação de outros clubes voltados para prática futebolística tais como o Fluminense Football Club (1902), Bangu Atlético Club, América Football Club e Botafogo Football Club (1904), este novo esporte começa a se tornar representativo. Entretanto, ainda nessa época, era raro encontrar um brasileiro entre os jogadores de futebol, pois marcavam presença principalmente os imigrantes europeus que contribuíram direta e indiretamente para a disseminação de novos esportes. O futebol exercia um forte fascínio entre os jovens da elite metropolitana carioca, formados nas escolas elegantes da cidade ou nas universidades inglesas e suíças. A convivência entre os jovens de ‘famílias de bem’ da Capital e os ingleses em seus clubes determina a base da estrutura amadorística do esporte.

Com a proliferação dos clubes de futebol e o prestígio alcançado entre a população local que começava a comparecer em massa aos campos de futebol, surge a necessidade de estruturar a realização dos jogos e organizar as competições entre os clubes do Rio e Niterói, como já acontecia em São Paulo e Bahia. Assim, inicia-se uma campanha para a criação de uma liga de futebol carioca reunindo Rio Cricket and Athletic Association, Fluminense Football Club, Football Athletic Club, América Football Club, Bangu Atlético Club, Sport Club Petrópolis e Paysandu Cricket Club. O êxito da campanha resulta na fundação, em 8 de junho de 1905, da LIGA METROPOLITANA DE FOOTBALL – LMF, constituída pelos seguintes membros em sua diretoria:

PRESIDENTE:

José Villas Boas / Francis Walter

VICE-PRESIDENTE:

Victor Etchegaray

SECRETÁRIO:

Rocha Gomes

TESOUREIRO:

Antônio Pinto

Da comissão escolhida para elaborar o ESTATUTO da LMF, fazia parte: Oscar Cox, do Fluminense Football Club; Antônio Pinto, do Botafogo Football Club, e Arnaldo Cerqueira, do Football Athletic Club. Em dezembro deste mesmo ano, o Sr. José Villas Boas, Presidente do Bangu e da Liga é derrotado nas eleições sendo substituído por Francis Walter. Logo foi instituída a cobrança de duzentos mil-réis para filiar os clubes, juntamente com uma mensalidade de vinte mil-réis.

No ano seguinte à consolidação da Liga realiza-se o primeiro Campeonato Carioca, com as regras e regulamentos da liga inglesa, do qual participaram 6 clubes: Fluminense, Botafogo, Bangu, Football and Athletic, Paysandu e Rio Cricket. Os jogos patrocinados pela LMF tornam-se verdadeiros eventos sociais, freqüentados pelas melhores famílias da cidade. O Presidente da LMF, Francis Walter, além de ser também presidente do Fluminense, representou o clube tricolor dentro de campo, durante as seis primeiras partidas do campeonato, na posição de goleiro. O América, um dos fundadores da liga, não participou do campeonato cujo campeão foi o Fluminense.

A Liga não limitou-se à organização de campeonatos regionais e, em Assembléia Geral realizada em fevereiro de 1906, estabelece o Campeonato Brasileiro de Futebol. Entretanto só poderiam competir as ligas estaduais reconhecidas pela LMF. Tal limitação fez com que o primeiro Campeonato ‘Brasileiro’ de Futebol, fosse realizado apenas entre cariocas e paulistas. Apesar do esporte haver se popularizado pelo país e, em muitos estados como Bahia, Pernambuco e Minas Gerais, já existirem clubes tradicionais que praticassem o futebol amador, a Liga limitou o Campeonato Brasileiro ao eixo Rio - São Paulo. Vem dessa época a rivalidade entre cariocas e paulistas, tendo sido registrada com pesar pelo jornal Correio da Manhã, em 1908 :

"É triste, muito triste – o que ontem presenciamos nas arquibancadas do Fluminense.

Um numeroso grupo de rapazes, todos eles com a fita de conhecido clube, no chapéu, divertia-se a dirigir pilharias, enviadas para os nossos hóspedes (o quadro do Palmeiras de São Paulo), que no campo lutavam pela vitória de seu pavilhão. E como eram todos eles rapazes educados e distintos, esperamos que, lendo esta nota, não mais reproduzam no jogo de hoje aquelas pilharias, tolas e ridículas."

Em 18 de fevereiro de 1907, a LIGA METROPOLITANA DE FOOTBALL troca sua denominação para LIGA METROPOLITANA DE ESPORTES TERRESTRES – LMET e passa a adotar atitudes preconceituosas, perdendo alguns de seus associados. Esta, participa aos clubes a decisão de não mais aceitar o registro de ‘homem de cor’ em seus quadros, causando protestos. O Bangu, em reunião realizada em 4 de maio, abandona a liga e não participa do Campeonato Carioca. Descontentes com a falta de habilidade da Liga Metropolitana, Rio Cricket, Internacional e Paysandu também se retiram, mas o Campeonato Carioca, já em andamento, tem sua continuidade garantida. A situação se agravou ao final da disputa pelo título de campeão carioca de 1907, entre Fluminense e Botafogo, cujo resultado terminara empatado. Não houve acordo, sendo que cada um julgou-se o campeão daquele ano ( a disputa resolveu-se quase 100 anos depois, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Futebol, dando aos dois clubes o título de campeão de 1907). À época, a situação tornou-se insustentável para a LMET, até que esta acaba por dissolver-se.

Em 29 de fevereiro de 1908, Fluminense, Botafogo, América, Paysandu, Rio-Cricket e Riachuelo fundam a LIGA METROPOLITANA DE SPORTS ATHLETICOS – LMSA. A nova Liga organiza o Campeonato Carioca daquele ano, tendo como campeão invicto o time do Fluminense. Nesse mesmo ano, o América F. C. estréia na primeira divisão e alguns times, como o Bangu, pedem filiação. O campeonato carioca de 1909 contou com a participação de 9 clubes: Fluminense, América, Bangu, Riachuelo, Haddock Lobo, Mangueira e Botafogo, jogando todos contra todos em turno e returno, como era de regra, tendo sido campeão invicto a equipe tricolor.

No decorrer de 1911, o time do Fluminense, mesmo tendo conquistado o campeonato, passa por sérios problemas acabando por sofrer um racha. Um impasse entre jogadores e dirigentes – que naquela época era chamada de ‘Ground Committee’ – gera uma crise interna fazendo com que nove de seus jogadores pedissem demissão e procurassem outro clube para jogar. Os nove jogadores – Alberto Borgerth, Othon de Figueiredo Baena, Píndaro de Carvalho Rodrigues, Emmanuel Augusto Nery, Ernesto Amarante, Armando de Almeida (Galo), Orlando Sampaio Matos, Gustavo Adolpho de Carvalho, Lawrence Andrews – propuseram ao clube de Regatas Flamengo, que até aquele momento só tinha a equipe de remo, a formação de seu time de futebol. Assim é criado, em 1911, o time do Flamengo. O primeiro Fla-Flu marcado pela LMSA aconteceu em 1912 e foi vencido pelo Fluminense com o placar de 3X2.

Nesse mesmo ano, o Botafogo abandona a Liga, como forma de protesto contra a suspensão, por um ano, imposta a seu atleta Abelardo Delamare durante a partida entre Botafogo e América, após uma troca de agressão entre os jogadores Delamare e o ponta Gabriel do time adversário. Além da suspensão de seu atleta, a diretoria do Botafogo recebeu uma censura devido a esse episódio. Em seguida ao seu desligamento, o Botafogo funda a ASSOCIAÇÃO DE FOOTBALL DO RIO DE JANEIRO – AFRJ que ficou conhecida à época como ‘Liga Barbante’, pelo fato dos demais participantes da Liga não terem expressividade no futebol. A AFRJ tem vida curta, reintegrando-se à LMSA em 1913.

Em âmbito nacional, o surgimento de novos clubes de futebol e a popularização do esporte internacionalmente fez surgir a necessidade de criação de uma estrutura que representasse mais expressivamente o futebol brasileiro. Sérgio Marinho Barbosa resume bem as primeiras tentativas feitas nesse sentido:

"Nos primeiros vinte anos de futebol no Brasil, a administração do esporte era conduzida separadamente pelas ligas do Rio de Janeiro e de São Paulo, mas um órgão governante para todos os esportes no Brasil, a ‘FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE SPORTS’ (FBS), foi criada em 1914. Esta Federação conseguiu imediato reconhecimento internacional de diversos órgãos mundiais, embora a FIFA não estivesse entre eles. Uma organização administrativa rival, a FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (FBF), tinha sido também fundada em 1915. Quando a FBF conseguiu obter sua quota de reconhecimento internacional, originou-se uma luta intensa entre os grupos até que, em 1916, os dois se fundiram sob a égide de CBD. O novo órgão governativo foi admitido provisoriamente na FIFA no mesmo ano, obtendo plenos direitos em 1923. A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS (CBD) se constituiu, durante muitos anos, no corpo administrativo de todos os esportes no Brasil. A preocupação principal da CBD, contudo, bem como, a mais expressiva fonte de recursos, foi sempre o futebol."

Em solo carioca, a Liga Metropolitana de Sports Athléticos recebe uma série de acusações de suborno tornando insustentável sua permanência na organização do futebol carioca, até que em 1917 é substituída pela LIGA METROPOLITANA DE DESPORTOS TERRESTRES - LMDT.

Predominava no futebol o amadorismo e um declarado preconceito em relação à cor do atleta e à sua condição social. Um homem pobre e proletário não tinha vez no futebol, considerado um jogo moderno e elegante pelas elites. O esporte era exclusivamente para as ‘boas famílias’. Pelo ano de 1917 surgiram iniciativas de se aceitar homens ‘morenos’ mas o preconceito persistia, a tal ponto que os jogadores brancos inventaram uma regra: se um branco cometesse falta violenta contra um jogador negro, o juiz marcaria a falta, mas o jogo continuaria a transcorrer normalmente. Entretanto, caso um jogador negro cometesse falta violenta contra um jogador branco, o juiz apitaria a falta, dando o direito ao branco de revidar a violência sofrida antes de cobrá-la. Verdadeiras surras aconteciam dentro de campo e para se livrarem das faltas e consequentemente das surras, os negros inventaram a finta, o nosso famoso ‘drible’. Assim, a ginga e o jogo de cintura dos negros da senzala passaram a fazer parte do espetáculo das partidas e aos poucos o futebol carioca perde o sotaque inglês, criando estilo e ginga próprios. Neste período, tem início a fase do ‘falso amadorismo’ – os atletas não recebiam salários, mas uma espécie de ajuda de custos.

Durante as duas décadas que se passaram desde a introdução do futebol na então Capital Federal (Rio de Janeiro), acontece uma verdadeira monopolização de títulos das competições pelos ‘clubes grandes’ dos bairros de elite. Entretanto, um clube de origem popular, que chegara na segunda divisão em 1917 e havia subido para a primeira divisão em 1923, o Vasco da Gama, sagra-se campeão carioca de futebol neste mesmo ano, com um time formado basicamente por trabalhadores de origem humilde, brancos, negros e mulatos, desprovidos de posição social. Em 5 de novembro desse mesmo ano, o Sr. Ernesto Loureiro Filho, do Clube Andaraí – que também possuía em seus quadros homens negros e mulatos – foi eleito vice-presidente da LMDT. A aristocracia do futebol carioca que primava por sua estrutura amadorística, sentiu-se ameaçada pela ascensão dos clubes de periferia, entre eles o Vasco que, além de admitir negros e mulatos como atletas, pagava ‘bicho’ a seus jogadores. A ameaça dos clubes secundários, como Andaraí, Modesto e Independência, evidenciava-se através do exercício de seus direitos a voto e o peso que eles representavam nas assembléias. Essa situação culminou na formalização de protestos pelos clubes principais contra os estatutos da Liga Metrolplitana. Esses fatos fizeram com que os cinco grandes propusessem mudanças em sua política de administração e na forma de disputa do campeonato, durante a Assembléia Geral convocada em 20 de fevereiro de 1924 pelo então presidente da liga Dr. Miguel José Pedro. A falta de concordância entre seus 36 filiados quanto ao projeto de reforma das leis da entidade determinou o rompimento da LMDT. A favor da proposta dos clubes grandes, votaram:

  • Flamengo, América, Andaraí, Vasco, Associação Cristã, Bangu, Botafogo, Brasil, Fluminense, Olaria, Ginástico Português, Helênico, Independência, São Cristóvão e Tijuca Tênis.

Votaram contra:

  • Americano, Mackenzie, Sírio, Vila Isabel, Bonsucesso, River, Engenho de Dentro, Boqueirão, Esperança, Ramos, Rio Moto, Ipiranga, Everest, Fidalgo, Mangueira, Modesto, Metropolitano, e Palmeiras.

Não votaram Progresso e o Esportivo Equitação.

Assim, ocorre a primeira grande cisão do futebol carioca, com Fluminense, Flamengo, Botafogo, Bangu e América fundando, em 1º de março de 1924, a ASSOCIAÇÃO METROPOLITANA DE ESPORTES ATHLETICOS – AMEA sendo presidida pelo patrono do Fluminense, Sr. Arnaldo Guinle.

A AMEA, tendo sido reconhecida pela CBD, impôs regras discriminatórias aos atletas dos clubes filiados, que deveriam responder, inclusive, extensos questionários com o intuito de aferir sua procedência e posição social, através de perguntas quanto ao nível de escolarização e meios de sobrevivência. Além disso, formou-se uma Comissão de Sindicância para verificar a veracidade das informações, da qual fazia parte: Reis Carneiro, do Fluminense, Diocesano Ferreira Gomes, o Dão do Flamengo e Armando de Paula Freitas, do América. O primeiro campeonato organizado pela nova liga foi disputado entre: América, Bangu, Botafogo, Sport Club Brasil, Flamengo, Fluminense, Helênico e São Cristóvão.

Times como Vasco, São Cristóvão e Andaraí permaneceram na Liga Metropolitana, presidida pelo Sr. Célio de Barros. O Vasco recusou proposta de filiação à AMEA, por meio de uma carta histórica assinada pelo presidente cruzmaltino José Augusto Prestes e destinada a Arnaldo Guinle:

"Estamos certos de que Vossa Excelência será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno de nossa parte sacrificar, ao desejo de filiar-se à Amea, alguns dos que lutaram para que tivéssemos, entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923", argumentou Prestes. Ele prosseguiu defendendo seus atletas. "São 12 jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de suas carreiras. Um ato público que os maculasse nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias". E finalizou, decidindo não entrar na nova entidade: "Nestes termos, sentimos ter de comunicar a Vossa Excelência que desistimos de fazer parte da Amea"

Já o São Cristóvão logo se filiaria à AMEA. A existência de duas ligas propiciou o acontecimento de dois campeonatos de futebol naquele ano: um vencido pelo Fluminense (realizado pela AMEA) e o outro pelo Vasco da Gama (realizado pela LMDT).

No ano seguinte, entretanto, a AMEA resolve abandonar o preconceito e concede a filiação à grande parte dos clubes da liga rival, esvaziando as competições da LMDT e consequentemente o nível técnico do campeonato, levando-a a extinção em 1932.

Até 1932, os times cariocas eram amadores em sua estrutura, isto é, não pagavam ‘oficialmente’ a seus atletas. Entretanto, Fluminense, América e Bangu desejavam regulamentar tal situação a fim de ‘moralizar’ a prática do esporte e, principalmente, evitar o êxodo de jogadores para a Europa iniciando, assim, um movimento em favor do profissionalismo no futebol, apesar do insistente combate feito pela imprensa e da falta de unanimidade dos clubes em torno da nova proposta. Juntamente à adoção do profissionalismo, havia a proposta de criação de uma nova agremiação que contemplasse em seus estatutos a prática do profissionalismo.

Em 29 de janeiro de 1932 era eleito para presidência da AMEA o Sr. Rivadavia Corrêa Meyer, que logo assume posição contrária à inovação. Em 29 de agosto desse mesmo ano o Fluminense, representado por Arnaldo Guinle e Oscar Costa, promove uma reunião para discutir o futuro do profissionalismo no futebol do Rio. O encontro acontece em sua sede e reúne os sete clubes fundadores da AMEA. Nas palavras de Sérgio Marinho:

"O Botafogo foi representado por Viveiros de Castro e Mario Pinto e a assembléia, em princípio, assentou a fundação de uma liga de profissionais com os sete fundadores, designando uma comissão composta dos Dr. Arnaldo Guinle, Ary Franco e Antonio Avelar, para os estudos, tendo Paulo Azeredo, presidente do Botafogo, declarado ao ‘Jornal dos Sports´ que em princípio o Botafogo não era contra a idéia, mas que: ‘entretanto, como é uma medida que vem modificar radicalmente os nossos costumes esportivos, precisamos estudá-la."

Em 12 de janeiro de 1933 o projeto de estatuto da nova entidade ganha forma. Foi marcada a discussão do projeto de estatuto para o dia 23, mas antes aconteceria uma reunião conhecida como ‘a 18’, na sede do Botafogo, da qual participaram: Botafogo, Flamengo, São Cristóvão e Vasco da Gama. Estes times temiam pela oficialização do profissionalismo e redigiram a seguinte carta para o Sr. Oscar da Costa, presidente do Fluminense:

Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 1933.

Prezado amigo Oscar da Costa.

Saudações afetuosas.

Com a franqueza e a lealdade de amigos de verdade e admiradores, que nos honramos de ser de ti e do valoroso Fluminense F. C., vimos trazer-te o resultado do estudo acurado a que submetemos na atual situação do nosso futebol o projeto de fundação da Liga Carioca de Futebol, redigidos pelos nossos estimados e distintos amigos comuns Arnaldo Guinle, Ary Franco e Antonio Avellar, por nós designados em comissão para esse fim.

Desde aquela primeira reunião preparatória para a fundação de uma empresa ou federação para a exploração do futebol profissional, que cada um de nós, sensíveis todos a manifestações das coletividades de que éramos mandatários, se capacitou mais da extrema delicadeza do problema, em cujo estudo mais se aprofundou.

A identidade de ponto de vista sobre o assunto nos reuniu naturalmente, com o único intuito de procurar uma fórmula capaz de harmoniosamente se chegar a uma solução que não seja contrária aos interesses vitais dos nossos clubes.

Todos estamos convencidos de que nenhuma das nossas diretorias seria capaz de se manter na direção de nossos grêmios se definissem pela adoção do profissionalismo.

Depois de uma longa meditação, chegamos à conclusão que a implantação deste regime nos levaria à mais completa ruína.

Para que a reunião de segunda-feira não redunde em fracasso foi que decidimos escrever-te esta carta, onde, com toda a amizade e franqueza que deve sempre existir nestas ocasiões, declaramo-te claramente o nosso ponto de vista.

Tu, ‘sportman’ completo, amigo e cavalheiro, hás de compreender bem os motivos que ditaram essa deliberação, que de forma nenhuma poderá sequer alterar as nossas relações, que todos fazemos questão absoluta de incrementar cada vez mais.

Recebe com o nosso afetuoso abraço o testemunho de nossa grande amizade e mais estreita camaradagem. Assinados pelo Botafogo F. C. , Paulo A. Azeredo; pelo S. Cristóvão A. C., Álvaro Teixeira de Novaes; pelo C. R. Vasco da Gama, Manoel Ramos e pelo C. R. do Flamengo, Paschoal Segreto Sobrinho.

Estava assim concretizada as duas correntes, uma pró e a outra contra o profissionalismo, culminando com a primeira grande cisão do futebol carioca.

Na reunião do dia 23 de janeiro de 1933 decidiu-se pela criação da LIGA CARIOCA DE FUTEBOL – LCF. O Vasco da Gama volta atrás da decisão de ficar na AMEA e participa da fundação da nova liga. Entre as pessoas que estiveram presentes assinaram a ata da fundação Oscar da Costa, representando o Fluminense, Antonio Avellar, Ary Franco e Manoel Ramos representando respectivamente o América, Bangu e o Vasco da Gama, Arnaldo Guinle, Pedro Cunha, Pedro Magalhães Correia, Julio Mallitz, J. M. Castello Branco, Luiz Vinhaes, Artur Azevedo, Gomes da Cruz, Herberto Figueiras, Roberto Peixoto, Albino Bandeira, tendo como testemunhas amigos, esportistas e jornalistas como Teixeira de Carvalho do ‘Jornal do Comércio’, Mario Rodrigues Filho de ‘O Globo’ José da Silva Rocha de ‘A Noite’ e Pires Lopes do ‘Jornal dos Sports’.

São Cristóvão, Botafogo e Flamengo abandonam a reunião e os dois primeiros permanecem na AMEA.

Consolidada a Liga Carioca de Futebol assume a presidência o Sr. Raul Campos que pleiteia à CBD o reconhecimento como entidade dirigente do futebol profissional no Rio de Janeiro, no que foi prontamente recusado pelo Conselho de Julgamentos, em 7 de abril. Em conseqüência desse fato, a LCF e a APEA (Associação Paulista de Esportes Athléticos), já acordadas quanto a implantação do futebol profissional, fundaram, em 26 de agosto de 1933, a FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL, cuja sede seria na Capital Federal.

Em 1934, assume a presidência da AMEA o Sr. Eduardo Trindade que logo propõe uma trégua a Raul Campos da LCF. Para isso, apresenta como proposta a adoção de um regime misto, que tinha como principal característica a existência do jogador em função do clube, isto é, o profissional ou o amador só existiria como tal se o clube o registrasse como jogador. As tentativas de acordo foram frustadas. Entretanto o regime misto passa a fazer parte dos estatutos da CBD – Confederação Brasileira de Desportos. Em conseqüência da falta de acordo, houve novamente dois campeonatos, um ganho pelo Botafogo (AMEA) e o outro pelo Vasco da Gama (LCF). No dia 11 de dezembro desse ano, na sede do Botafogo, os oito clubes – Botafogo, Vasco, Bangu, São Cristóvão Andaraí, Olaria, Carioca e Madureira – resolvem pela fundação da FEDERAÇÃO METROPOLITANA DE DESPORTOS – FMD. A FMD incorpora a AMEA e deixa evidente que o problema era mais político do que futebolístico. Assim, até 1936, dois campeonatos eram realizados paralelamente e duas ligas cariocas coexistiam tentando a pacificação mútua. A cisão estava por findar.

O profissionalismo não era mais o fator impeditivo para que houvesse a paz entre os clubes pois, a partir de 1937, sua prática foi adotada em todo o território nacional. Além disso, o momento político – a ditadura Vargas – exigia maior disciplina, tanto moral quanto política, entre clubes e federações. A iniciativa para a resolução dos conflitos partiu dos presidentes do Vasco, Sr. Pedro Novaes, e do América, Sr. Pedro Magalhães Corrêa nos seguintes termos:

  1. Os clubes da LCF e da FMD fundarão uma Liga que contará com uma única divisão;
  2. A divisão será constituída pelos clubes América, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, Madureira Atlético Clube, Botafogo, Bangu, Bonsucesso Futebol Club e São Cristóvão de Futebol e Regatas;
  3. Até o fim do ano de 1937 serão agregados os clubes Andaraí, Campo Grande Atlético Clube, Associação Atlética Portuguesa e Olaria Atlético Clube;
  4. A nova liga filiar-se-á à Federação Brasileira de Futebol, que por sua vez, será filiada à CBD;
  5. Caso a FBF venha a se extinguir, os clubes e ligas filiados a ela passarão a pertencer à CBD.

Dessa maneira, acontece a tão desejada fusão entre a LCF e a FMD, em 29 de julho de 1937, surgindo então a LIGA DE FOOTBALL DO RIO DE JANEIRO – LFRJ, presidida por Antônio Avelar. Os presidentes do Vasco e América promoveram um amistoso entre os dois clubes para comemorar a pacificação do futebol carioca. Daí surgiu a designação ‘Clássico da Paz’ para os jogos realizados entre América X Vasco. O primeiro campeonato da fusão foi realizado entre os nove clubes fundadores e os três ‘agregados’.

No Brasil do Estado-Novo, quando já se falava de intervenção governamental no futebol através do controle dos clubes e federações desportivas, o presidente Getúlio Vargas edita o decreto-lei nº 3.199 de 14 de abril de 1941, estabelecendo as novas bases da organização dos desportos no país. A partir da entrada em vigor da nova legislação federal, é instituído o Conselho Nacional dos Desportos – CND como entidade reguladora da atividade esportiva no Brasil, cujo presidente era o Sr. Luiz Aranha. Este, também era o presidente da CBD que por força da oficialização esportiva federal, incorpora a Federação Brasileira de Futebol. Dentre as modificações com fins disciplinadores verifica-se a padronização dos nomes das entidades estaduais, que deveriam se denominar, a partir de então, ‘Federação de Futebol’. Assim, no Rio de Janeiro, a Liga de Football – LFRJ muda sua denominação para FEDERAÇÃO METROPOLITANA DE FUTEBOL – FMF. Uma das novas mudanças impostas à FMF, foi a utilização das regras da FIFA para as competições, que passariam a ser disputadas em 2 tempos de 45 minutos, estando proibida a substituição de jogadores. Além disso, deveria haver jogos sendo realizados aos domingos. O campeonato carioca foi disputado por 10 clubes tendo como vencedor o Fluminense.

A política autoritária Varguista dá lugar, na década de 50, a uma ação de modernização conservadora que atinge em cheio o esporte brasileiro. A inauguração do Maracanã, a construção da nova capital federal – Brasília – e mudanças na estrutura econômica do país, são exemplos dessa onda progressista. À reboque da modernização, tem início a profissionalização do futebol fluminense, introduzida pela FEDERAÇÃO FLUMINENSE DE DESPORTOS – FFD, fundada em 7 de janeiro de 1925, com sede em Niterói. As competições de profissionais pela FEDERAÇÃO FLUMINENSE passaram a ser realizadas a partir da criação, em 28 de dezembro de 1951, da Divisão Estadual de Profissionais (D.E.P.) e do estabelecimento de seu Primeiro Campeonato Fluminense de Profissionais, tendo sido o primeiro jogo disputado em 27 de abril de 1952, sendo o primeiro campeão profissional o Adrianino A.C. O então presidente era o Professor José Ramos de Freitas. Inicialmente, filiaram-se ao D.E.P da FFD, aos moldes do profissionalismo, os seguintes clubes: Barra Mansa F. C., Central E.C.(Barra do Piraí), Clube dos Coroados (Valença), Esperança F.C.(Nova Iguaçu), Fonseca A.C. (Niterói), Adrianino A.C.(Engenheiro Paulo de Frontin)

Quando as bases do profissionalismo estavam se sedimentando no interior do estado, uma liga municipal tem destaque especial: a LIGA CAMPISTA DE DESPORTOS – LCD. A LCD era a mais forte entidade municipal do futebol do Estado do Rio de Janeiro, tendo entre seus filiados clubes como o Americano F.C., C.E. Rio Branco e o Goytacaz F.C., Campos A.A., Municipal F.C. e S.C. São José. Adotou o profissionalismo no ano de 1952, filiando-se ao D.E.P da FFD e realizando no segundo semestre desse mesmo ano o Campeonato Campista de Profissionais.

Em 21 de abril de 1960, a capital federal do país é transferida para Brasília. O antigo distrito federal transforma-se em Estado da Guanabara. O município do Rio de Janeiro passa a ser capital do Estado da Guanabara. Nesse ano, a FEDERAÇÃO METROPOLITANA DE FUTEBOL, que continuou atuando na Guanabara, troca a denominação para FEDERAÇÃO CARIOCA DE FUTEBOL – FCF. Realiza-se, então, o primeiro Campeonato de Futebol do Estado da Guanabara disputado pelos clubes grandes do Rio (12 profissionais e aproximadamente 20 amadores), tendo como vencedor o América.

Enquanto isso, no Estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói, os clubes do interior disputavam outro Estadual, o Campeonato Fluminense de Futebol, realizado pela FEDERAÇÃO FLUMINENSE DE DESPORTOS – FFD.

CAMPEÕES DA FFD:

1952. Adrianino A.C.

1960. Fonseca A.C.

1970. Central E. C.

1953. Fonseca A.C.

Barra Mansa F.C.

Goytacaz F.C..

1961. Fonseca A.C

1971. Central E. C.

1962. Fonseca A.C

1972. A. A. Barbará

1963. Goytacaz F.C.

1973. A. A. Barbará

1954. Americano F.C.. 1964. Americano F.C.

1974. E. C. Sapucaia

1955. Goytacaz F.C.

1965 A. A. E. Eletrovapo

1975. Americano F. C.

1956. não houve

1966. Goytacaz F.C.

1976. Campos A.A.

1957. Goytacaz F.C. 1967. Goytacaz F.C.

1977. Manufatora A.C.

1958. Manufatora F.C.

1968. Americano F. C.

1978. F U S Â O

1959. Fonseca A.C.

1969. Americano F. C.

 
Fonte: Silva, Eduardo Augusto Viana da – ‘Implantação do Futebol Profissional no Estado do Rio de Janeiro’. 1986

A década de 70 trouxe algumas transformações no panorama do esporte brasileiro que se refletiram diretamente na estrutura do futebol. Sob o regime militar, mais precisamente no governo de Ernesto Geisel foi publicada lei nº 6.251 de 6 de outubro 1975, muito semelhante ao decreto-lei de 1941. A nova lei estabeleceu a Política Nacional de Educação Física e Esporte e inseriu, pela primeira vez no mundo dos esportes, a definição legal de desporto. A vedação ao lucro das entidades desportivas foi estendida à remuneração de seus dirigentes. Em julho de 1974, o Estado da Guanabara funde-se ao Estado do Rio de Janeiro vislumbrando novas mudanças na estrutura do futebol carioca.

Em 1977 a diretoria da FCF era constituída por:

PRESIDENTE:

Dr. Octávio Pinto Guimarães

VICE-PRESIDENTE:

Marcus Vinicius de Carvalho

DIRETORES:

Leibnitz Miranda

 

Alexandre Antonio da Silva

 

Constantino de Souza Magalhães

 

Erar Campos Vasconcellos

 

Ary Massey Oliveira de Menezes

À época da fusão, participavam da FFD 36 ligas municipais que reuniam cerca de cinco mil clubes amadores e 12 profissionais. Pertenciam à cúpula da FFD nomes como os de Murilo Portugal, Eduardo Augusto Viana, Heleno de Barros Nunes, Plínio Clóvis Jordão, Gilson Monteiro, Jacy Luiz Gonzaga, Jacy Lopes, Darcy Pain de Carvalho, entre outros.

Em 29 de setembro de 1978, sob a égide da nova legislação, nasce a FEDERAÇÃO DE FUTEBOL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – FERJ, como resultado da fusão da FCF do Estado da Guanabara com a FFD do Estado do Rio de Janeiro. Inicialmente, funcionou com uma diretoria provisória. A primeira eleição de diretoria aconteceu em 29 de setembro de 1979 e de acordo com o Dr. Eduardo Viana, no livro O Poder no Esporte:

"Promovida a ‘fusão’, (...) nova elite futebolística assumiu o poder, mantendo, à revelia das ‘vontades’ cariocas, Octávio Pinto Guimarães no poder – eleito para a diretoria provisória (mandatos de 29/09/78 à 18/01/79) e, por duas vezes reeleito presidente (mandatos de 18/01/79 à 18/01/82 e 18/01/82 à 18/01/85) – secundado na primeira gestão por Murilo Portugal como primeiro vice-presidente, Eduardo Viana como segundo vice-presidente e Alfredo de Almeida como terceiro vice-presidente, todos integrantes da nova elite futebolística que assumiu a direção a partir do processo de fusão. (...) Aos dois mandatos de Octávio Pinto Guimarães, liderada politicamente a Assembléia Geral por Eduardo Viana, seguiram-se mais três mandatos ordinários (dois de três anos e um de quatro anos) e um mandato prorrogado de 1 ano, entre o segundo e terceiro mandato (...)."

A nova entidade realizou, em 1979, um campeonato especial para comemorar sua criação, denominado Primeiro Campeonato Estadual de Profissionais do Estado do Rio de Janeiro vencido pelo Flamengo, além do Campeonato Carioca, também vencido pelo Flamengo. Desde 8 de janeiro de 1985, o Dr. Eduardo Augusto Viana da Silva ocupa a presidência da FERJ.

Em 8 de janeiro de 1985, o Dr. Eduardo Augusto Viana da Silva foi eleito para ocupar a presidência da FERJ e permaneceu no cargo durante 21 anos, até seu falecimento, em agosto de 2006. Neste mesmo ano, iniciou-se a implantação de um projeto de modernização da estrutura e da gestão organizacional da entidade, visando, principalmente, trazer ao desporto mais transparência e ética. Em fevereiro de 2007, assume a presidência Dr. Rubens Lopes da Costa Filho que prossegue com o processo de modernização da entidade e viabiliza a recuperação da imagem do futebol do Estado do Rio de Janeiro.

O CAMPEONATO DO RIO DE JANEIRO TEM AS SEGUINTES FASES:

  • DE 1906 ATÉ 1959 - CAMPEONATO METROPOLITANO (DISTRITO FEDERAL).
  • DE 1952 ATÉ 1959 – CAMPEONATO FLUMINENSE DE FUTEBOL
  • DE 1960 ATÉ 1975 – CAMPEONATO ESTADUAL (ESTADO DO RIO DE JANEIRO)
  • DE 1960 ATÉ 1974 - CAMPEONATO ESTADUAL (ESTADO DA GUANABARA).
  • DE 1975 ATÉ 1978 - CAMPEONATO DA CIDADE (RIO DE JANEIRO).
  • DE 1979 EM DIANTE - CAMPEONATO ESTADUAL (RIO DE JANEIRO).

FONTE:

SILVA, Eduardo Augusto Viana da. Implantação do Futebol Profissional no Estado do Rio de Janeiro. 1.ed. Rio de Janeiro: Ed. Cátedra, 1986.

SILVA, Eduardo Augusto Viana da. O Poder no Esporte.2.ed. Rio de Janeiro: Ed. Sprint, 1994.

MÉRCIO, Roberto. A História dos Campeonatos Cariocas de Futebol. 1.ed. Rio de Janeiro: Ed. FERJ.

BARBOSA, Sérgio Marinho. (Pesquisa que será editada posteriormente a este trabalho)

COZAC, João Ricardo. A História do Futebol. 1998.