Da comissão
escolhida para elaborar o ESTATUTO da LMF, fazia parte: Oscar Cox,
do Fluminense Football Club; Antônio Pinto, do Botafogo Football
Club, e Arnaldo Cerqueira, do Football Athletic Club. Em dezembro
deste mesmo ano, o Sr. José Villas Boas, Presidente do Bangu
e da Liga é derrotado nas eleições sendo substituído
por Francis Walter. Logo foi instituída a cobrança
de duzentos mil-réis para filiar os clubes, juntamente com
uma mensalidade de vinte mil-réis.
No
ano seguinte à consolidação da Liga realiza-se
o primeiro Campeonato Carioca, com as regras e regulamentos da liga
inglesa, do qual participaram 6 clubes: Fluminense, Botafogo, Bangu,
Football and Athletic, Paysandu e Rio Cricket. Os jogos patrocinados
pela LMF tornam-se verdadeiros eventos sociais, freqüentados
pelas melhores famílias da cidade. O Presidente da LMF, Francis
Walter, além de ser também
presidente do Fluminense, representou o clube tricolor dentro de
campo, durante as seis primeiras partidas do campeonato, na posição
de goleiro. O América, um dos fundadores da liga, não
participou do campeonato cujo campeão foi o Fluminense.
A Liga não
limitou-se à organização de campeonatos regionais
e, em Assembléia Geral realizada em fevereiro de 1906, estabelece
o Campeonato Brasileiro de Futebol. Entretanto só poderiam
competir as ligas estaduais reconhecidas pela LMF. Tal limitação
fez com que o primeiro Campeonato ‘Brasileiro’ de Futebol, fosse
realizado apenas entre cariocas e paulistas. Apesar do esporte haver
se popularizado pelo país e, em muitos estados como Bahia,
Pernambuco e Minas Gerais, já existirem clubes tradicionais
que praticassem o futebol amador, a Liga limitou o Campeonato Brasileiro
ao eixo Rio - São Paulo. Vem dessa época a rivalidade
entre cariocas e paulistas, tendo sido registrada com pesar pelo
jornal Correio da Manhã, em 1908 :
"É triste,
muito triste – o que ontem presenciamos nas arquibancadas do Fluminense.
Um numeroso grupo
de rapazes, todos eles com a fita de conhecido clube, no chapéu,
divertia-se a dirigir pilharias, enviadas para os nossos hóspedes
(o quadro do Palmeiras de São Paulo), que no campo lutavam
pela vitória de seu pavilhão. E como eram todos eles
rapazes educados e distintos, esperamos que, lendo esta nota, não
mais reproduzam no jogo de hoje aquelas pilharias, tolas e ridículas."
Em 18 de fevereiro
de 1907, a LIGA METROPOLITANA DE FOOTBALL troca sua denominação
para LIGA METROPOLITANA DE ESPORTES TERRESTRES – LMET e passa
a adotar atitudes preconceituosas, perdendo alguns de seus associados.
Esta, participa aos clubes a decisão de não mais aceitar
o registro de ‘homem de cor’ em seus quadros, causando protestos.
O Bangu, em reunião realizada em 4 de maio, abandona a liga
e não participa do Campeonato Carioca. Descontentes com a
falta de habilidade da Liga Metropolitana, Rio Cricket, Internacional
e Paysandu também se retiram, mas o Campeonato Carioca, já
em andamento, tem sua continuidade garantida. A situação
se agravou ao final da disputa pelo título de campeão
carioca de 1907, entre Fluminense e Botafogo, cujo resultado terminara
empatado. Não houve acordo, sendo que cada um julgou-se o
campeão daquele ano ( a disputa resolveu-se quase 100 anos
depois, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação
Brasileira de Futebol, dando aos dois clubes o título de
campeão de 1907). À época, a situação
tornou-se insustentável para a LMET, até que esta
acaba por dissolver-se.
Em 29 de fevereiro
de 1908, Fluminense, Botafogo, América, Paysandu, Rio-Cricket
e Riachuelo fundam a LIGA METROPOLITANA DE SPORTS ATHLETICOS
– LMSA. A nova Liga organiza o Campeonato Carioca daquele ano,
tendo como campeão invicto o time do Fluminense. Nesse mesmo
ano, o América F. C. estréia na primeira divisão
e alguns times, como o Bangu, pedem filiação. O campeonato
carioca de 1909 contou com a participação de 9 clubes:
Fluminense, América, Bangu, Riachuelo, Haddock Lobo, Mangueira
e Botafogo, jogando todos contra todos em turno e returno, como
era de regra, tendo sido campeão invicto a equipe tricolor.
No
decorrer de 1911, o time do Fluminense, mesmo tendo conquistado
o campeonato, passa por sérios problemas acabando por sofrer
um racha. Um impasse entre jogadores e dirigentes – que naquela
época era chamada de ‘Ground Committee’ – gera uma
crise interna fazendo com que nove de seus jogadores pedissem demissão
e procurassem outro clube para jogar. Os nove jogadores – Alberto
Borgerth, Othon de Figueiredo Baena, Píndaro de Carvalho
Rodrigues, Emmanuel Augusto Nery, Ernesto Amarante, Armando de Almeida
(Galo), Orlando Sampaio Matos, Gustavo Adolpho de Carvalho, Lawrence
Andrews – propuseram ao clube de Regatas Flamengo, que até
aquele momento só tinha a equipe de remo, a formação
de seu time de futebol. Assim é criado, em 1911, o time do
Flamengo. O primeiro Fla-Flu marcado pela LMSA aconteceu em 1912
e foi vencido pelo Fluminense com o placar de 3X2.
Nesse mesmo ano, o
Botafogo abandona a Liga, como forma de protesto contra a suspensão,
por um ano, imposta a seu atleta Abelardo Delamare durante a partida
entre Botafogo e América, após uma troca de agressão
entre os jogadores Delamare e o ponta Gabriel do time adversário.
Além da suspensão de seu atleta, a diretoria do Botafogo
recebeu uma censura devido a esse episódio. Em seguida ao
seu desligamento, o Botafogo funda a ASSOCIAÇÃO
DE FOOTBALL DO RIO DE JANEIRO – AFRJ que ficou conhecida à
época como ‘Liga Barbante’, pelo fato dos demais participantes
da Liga não terem expressividade no futebol. A AFRJ tem vida
curta, reintegrando-se à LMSA em 1913.
Em âmbito nacional,
o surgimento de novos clubes de futebol e a popularização
do esporte internacionalmente fez surgir a necessidade de criação
de uma estrutura que representasse mais expressivamente o futebol
brasileiro. Sérgio Marinho Barbosa resume bem as primeiras
tentativas feitas nesse sentido:
"Nos primeiros
vinte anos de futebol no Brasil, a administração do
esporte era conduzida separadamente pelas ligas do Rio de Janeiro
e de São Paulo, mas um órgão governante para
todos os esportes no Brasil, a ‘FEDERAÇÃO BRASILEIRA
DE SPORTS’ (FBS), foi criada em 1914. Esta Federação
conseguiu imediato reconhecimento internacional de diversos órgãos
mundiais, embora a FIFA não estivesse entre eles. Uma organização
administrativa rival, a FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL
(FBF), tinha sido também fundada em 1915. Quando a FBF conseguiu
obter sua quota de reconhecimento internacional, originou-se uma
luta intensa entre os grupos até que, em 1916, os dois se
fundiram sob a égide de CBD. O novo órgão governativo
foi admitido provisoriamente na FIFA no mesmo ano, obtendo plenos
direitos em 1923. A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS
(CBD) se constituiu, durante muitos anos, no corpo administrativo
de todos os esportes no Brasil. A preocupação principal
da CBD, contudo, bem como, a mais expressiva fonte de recursos,
foi sempre o futebol."
Em solo carioca, a
Liga Metropolitana de Sports Athléticos recebe uma série
de acusações de suborno tornando insustentável
sua permanência na organização do futebol carioca,
até que em 1917 é substituída pela LIGA
METROPOLITANA DE DESPORTOS TERRESTRES - LMDT.
Predominava no futebol
o amadorismo e um declarado preconceito em relação
à cor do atleta e à sua condição social.
Um homem pobre e proletário não tinha vez no futebol,
considerado um jogo moderno e elegante pelas elites. O esporte era
exclusivamente para as ‘boas famílias’. Pelo ano de 1917
surgiram iniciativas de se aceitar homens ‘morenos’ mas o preconceito
persistia, a tal ponto que os jogadores brancos inventaram uma regra:
se um branco cometesse falta violenta contra um jogador negro, o
juiz marcaria a falta, mas o jogo continuaria a transcorrer normalmente.
Entretanto, caso um jogador negro cometesse falta violenta contra
um jogador branco, o juiz apitaria a falta, dando o direito ao branco
de revidar a violência sofrida antes de cobrá-la. Verdadeiras
surras aconteciam dentro de campo e para se livrarem das faltas
e consequentemente das surras, os negros inventaram a finta, o nosso
famoso ‘drible’. Assim, a ginga e o jogo de cintura dos negros da
senzala passaram a fazer parte do espetáculo das partidas
e aos poucos o futebol carioca perde o sotaque inglês, criando
estilo e ginga próprios. Neste período, tem início
a fase do ‘falso amadorismo’ – os atletas não recebiam salários,
mas uma espécie de ajuda de custos.
Durante as duas décadas
que se passaram desde a introdução do futebol na então
Capital Federal (Rio de Janeiro), acontece uma verdadeira monopolização
de títulos das competições pelos ‘clubes grandes’
dos bairros de elite. Entretanto, um clube de origem popular, que
chegara na segunda divisão em 1917 e havia subido para a
primeira divisão em 1923, o Vasco da Gama, sagra-se campeão
carioca de futebol neste mesmo ano, com um time formado basicamente
por trabalhadores de origem humilde, brancos, negros e mulatos,
desprovidos de posição social. Em 5 de novembro desse
mesmo ano, o Sr. Ernesto Loureiro Filho, do Clube Andaraí
– que também possuía em seus quadros homens negros
e mulatos – foi eleito vice-presidente da LMDT. A aristocracia do
futebol carioca que primava por sua estrutura amadorística,
sentiu-se ameaçada pela ascensão dos clubes de periferia,
entre eles o Vasco que, além de admitir negros e mulatos
como atletas, pagava ‘bicho’ a seus jogadores. A ameaça dos
clubes secundários, como Andaraí, Modesto e Independência,
evidenciava-se através do exercício de seus direitos
a voto e o peso que eles representavam nas assembléias. Essa
situação culminou na formalização de
protestos pelos clubes principais contra os estatutos da Liga Metrolplitana.
Esses fatos fizeram com que os cinco grandes propusessem mudanças
em sua política de administração e na forma
de disputa do campeonato, durante a Assembléia Geral convocada
em 20 de fevereiro de 1924 pelo então presidente da liga
Dr. Miguel José Pedro. A falta de concordância entre
seus 36 filiados quanto ao projeto de reforma das leis da entidade
determinou o rompimento da LMDT. A favor da proposta dos clubes
grandes, votaram:
- Flamengo, América, Andaraí,
Vasco, Associação Cristã, Bangu, Botafogo,
Brasil, Fluminense, Olaria, Ginástico Português,
Helênico, Independência, São Cristóvão
e Tijuca Tênis.
Votaram contra:
- Americano, Mackenzie, Sírio,
Vila Isabel, Bonsucesso, River, Engenho de Dentro, Boqueirão,
Esperança, Ramos, Rio Moto, Ipiranga, Everest, Fidalgo,
Mangueira, Modesto, Metropolitano, e Palmeiras.
Não votaram
Progresso e o Esportivo Equitação.
Assim, ocorre a primeira
grande cisão do futebol carioca, com Fluminense, Flamengo,
Botafogo, Bangu e América fundando, em 1º de março
de 1924, a ASSOCIAÇÃO METROPOLITANA DE ESPORTES
ATHLETICOS – AMEA sendo presidida pelo patrono do Fluminense,
Sr. Arnaldo Guinle.
A AMEA, tendo sido
reconhecida pela CBD, impôs regras discriminatórias
aos atletas dos clubes filiados, que deveriam responder, inclusive,
extensos questionários com o intuito de aferir sua procedência
e posição social, através de perguntas quanto
ao nível de escolarização e meios de sobrevivência.
Além disso, formou-se uma Comissão de Sindicância
para verificar a veracidade das informações, da qual
fazia parte: Reis Carneiro, do Fluminense, Diocesano Ferreira Gomes,
o Dão do Flamengo e Armando de Paula Freitas, do América.
O primeiro campeonato organizado pela nova liga foi disputado entre:
América, Bangu, Botafogo, Sport Club Brasil, Flamengo, Fluminense,
Helênico e São Cristóvão.
Times como Vasco,
São Cristóvão e Andaraí permaneceram
na Liga Metropolitana, presidida pelo Sr. Célio de Barros.
O Vasco recusou proposta de filiação à AMEA,
por meio de uma carta histórica assinada pelo presidente
cruzmaltino José Augusto Prestes e destinada a Arnaldo Guinle:
"Estamos certos de que Vossa Excelência
será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno
de nossa parte sacrificar, ao desejo de filiar-se à Amea,
alguns dos que lutaram para que tivéssemos, entre outras
vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de
Janeiro de 1923", argumentou Prestes. Ele prosseguiu defendendo
seus atletas. "São 12 jogadores jovens, quase todos brasileiros,
no começo de suas carreiras. Um ato público que os
maculasse nunca será praticado com a solidariedade dos que
dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles
com tanta galhardia cobriram de glórias". E finalizou, decidindo
não entrar na nova entidade: "Nestes termos, sentimos ter
de comunicar a Vossa Excelência que desistimos de fazer parte
da Amea"
Já o São
Cristóvão logo se filiaria à AMEA. A existência
de duas ligas propiciou o acontecimento de dois campeonatos de futebol
naquele ano: um vencido pelo Fluminense (realizado pela AMEA) e
o outro pelo Vasco da Gama (realizado pela LMDT).
No ano seguinte, entretanto,
a AMEA resolve abandonar o preconceito e concede a filiação
à grande parte dos clubes da liga rival, esvaziando as competições
da LMDT e consequentemente o nível técnico do campeonato,
levando-a a extinção em 1932.
Até 1932, os
times cariocas eram amadores em sua estrutura, isto é, não
pagavam ‘oficialmente’ a seus atletas. Entretanto, Fluminense, América
e Bangu desejavam regulamentar tal situação a fim
de ‘moralizar’ a prática do esporte e, principalmente, evitar
o êxodo de jogadores para a Europa iniciando, assim, um movimento
em favor do profissionalismo no futebol, apesar do insistente combate
feito pela imprensa e da falta de unanimidade dos clubes em torno
da nova proposta. Juntamente à adoção do profissionalismo,
havia a proposta de criação de uma nova agremiação
que contemplasse em seus estatutos a prática do profissionalismo.
Em 29 de janeiro de
1932 era eleito para presidência da AMEA o Sr. Rivadavia Corrêa
Meyer, que logo assume posição contrária à
inovação. Em 29 de agosto desse mesmo ano o Fluminense,
representado por Arnaldo Guinle e Oscar Costa, promove uma reunião
para discutir o futuro do profissionalismo no futebol do Rio. O
encontro acontece em sua sede e reúne os sete clubes fundadores
da AMEA. Nas palavras de Sérgio Marinho:
"O Botafogo foi
representado por Viveiros de Castro e Mario Pinto e a assembléia,
em princípio, assentou a fundação de uma liga
de profissionais com os sete fundadores, designando uma comissão
composta dos Dr. Arnaldo Guinle, Ary Franco e Antonio Avelar, para
os estudos, tendo Paulo Azeredo, presidente do Botafogo, declarado
ao ‘Jornal dos Sports´ que em princípio o Botafogo não
era contra a idéia, mas que: ‘entretanto, como é uma
medida que vem modificar radicalmente os nossos costumes esportivos,
precisamos estudá-la."
Em 12 de janeiro de
1933 o projeto de estatuto da nova entidade ganha forma. Foi marcada
a discussão do projeto de estatuto para o dia 23, mas antes
aconteceria uma reunião conhecida como ‘a 18’, na sede do
Botafogo, da qual participaram: Botafogo, Flamengo, São Cristóvão
e Vasco da Gama. Estes times temiam pela oficialização
do profissionalismo e redigiram a seguinte carta para o Sr. Oscar
da Costa, presidente do Fluminense:
Rio de Janeiro, 18
de janeiro de 1933.
Prezado amigo Oscar
da Costa.
Saudações
afetuosas.
Com a franqueza e
a lealdade de amigos de verdade e admiradores, que nos honramos
de ser de ti e do valoroso Fluminense F. C., vimos trazer-te o resultado
do estudo acurado a que submetemos na atual situação
do nosso futebol o projeto de fundação da Liga Carioca
de Futebol, redigidos pelos nossos estimados e distintos amigos
comuns Arnaldo Guinle, Ary Franco e Antonio Avellar, por nós
designados em comissão para esse fim.
Desde aquela primeira
reunião preparatória para a fundação
de uma empresa ou federação para a exploração
do futebol profissional, que cada um de nós, sensíveis
todos a manifestações das coletividades de que éramos
mandatários, se capacitou mais da extrema delicadeza do problema,
em cujo estudo mais se aprofundou.
A identidade de ponto
de vista sobre o assunto nos reuniu naturalmente, com o único
intuito de procurar uma fórmula capaz de harmoniosamente
se chegar a uma solução que não seja contrária
aos interesses vitais dos nossos clubes.
Todos estamos convencidos
de que nenhuma das nossas diretorias seria capaz de se manter na
direção de nossos grêmios se definissem pela
adoção do profissionalismo.
Depois de uma longa
meditação, chegamos à conclusão que
a implantação deste regime nos levaria à mais
completa ruína.
Para que a reunião
de segunda-feira não redunde em fracasso foi que decidimos
escrever-te esta carta, onde, com toda a amizade e franqueza que
deve sempre existir nestas ocasiões, declaramo-te claramente
o nosso ponto de vista.
Tu, ‘sportman’ completo,
amigo e cavalheiro, hás de compreender bem os motivos que
ditaram essa deliberação, que de forma nenhuma poderá
sequer alterar as nossas relações, que todos fazemos
questão absoluta de incrementar cada vez mais.
Recebe com o nosso
afetuoso abraço o testemunho de nossa grande amizade e mais
estreita camaradagem. Assinados pelo Botafogo F. C. , Paulo
A. Azeredo; pelo S. Cristóvão A. C., Álvaro
Teixeira de Novaes; pelo C. R. Vasco da Gama, Manoel
Ramos e pelo C. R. do Flamengo, Paschoal Segreto Sobrinho.
Estava assim concretizada
as duas correntes, uma pró e a outra contra o profissionalismo,
culminando com a primeira grande cisão do futebol carioca.
Na reunião
do dia 23 de janeiro de 1933 decidiu-se pela criação
da LIGA CARIOCA DE FUTEBOL – LCF. O Vasco da Gama volta atrás
da decisão de ficar na AMEA e participa da fundação
da nova liga. Entre as pessoas que estiveram presentes assinaram
a ata da fundação Oscar da Costa, representando o
Fluminense, Antonio Avellar, Ary Franco e Manoel Ramos representando
respectivamente o América, Bangu e o Vasco
da Gama, Arnaldo Guinle, Pedro Cunha, Pedro Magalhães
Correia, Julio Mallitz, J. M. Castello Branco, Luiz Vinhaes, Artur
Azevedo, Gomes da Cruz, Herberto Figueiras, Roberto Peixoto, Albino
Bandeira, tendo como testemunhas amigos, esportistas e jornalistas
como Teixeira de Carvalho do ‘Jornal do Comércio’, Mario
Rodrigues Filho de ‘O Globo’ José da Silva Rocha de ‘A Noite’
e Pires Lopes do ‘Jornal dos Sports’.
São Cristóvão,
Botafogo e Flamengo abandonam a reunião e os dois primeiros
permanecem na AMEA.
Consolidada a Liga
Carioca de Futebol assume a presidência o Sr. Raul Campos
que pleiteia à CBD o reconhecimento como entidade dirigente
do futebol profissional no Rio de Janeiro, no que foi prontamente
recusado pelo Conselho de Julgamentos, em 7 de abril. Em conseqüência
desse fato, a LCF e a APEA (Associação Paulista de
Esportes Athléticos), já acordadas quanto a implantação
do futebol profissional, fundaram, em 26 de agosto de 1933, a FEDERAÇÃO
BRASILEIRA DE FUTEBOL, cuja sede seria na Capital Federal.
Em 1934, assume a
presidência da AMEA o Sr. Eduardo Trindade que logo propõe
uma trégua a Raul Campos da LCF. Para isso, apresenta como
proposta a adoção de um regime misto, que tinha como
principal característica a existência do jogador em
função do clube, isto é, o profissional ou
o amador só existiria como tal se o clube o registrasse como
jogador. As tentativas de acordo foram frustadas. Entretanto o regime
misto passa a fazer parte dos estatutos da CBD – Confederação
Brasileira de Desportos. Em conseqüência da falta de
acordo, houve novamente dois campeonatos, um ganho pelo Botafogo
(AMEA) e o outro pelo Vasco da Gama (LCF). No dia 11 de dezembro
desse ano, na sede do Botafogo, os oito clubes – Botafogo, Vasco,
Bangu, São Cristóvão Andaraí, Olaria,
Carioca e Madureira – resolvem pela fundação da FEDERAÇÃO
METROPOLITANA DE DESPORTOS – FMD. A FMD incorpora a AMEA e deixa
evidente que o problema era mais político do que futebolístico.
Assim, até 1936, dois campeonatos eram realizados paralelamente
e duas ligas cariocas coexistiam tentando a pacificação
mútua. A cisão estava por findar.
O profissionalismo
não era mais o fator impeditivo para que houvesse a paz entre
os clubes pois, a partir de 1937, sua prática foi adotada
em todo o território nacional. Além disso, o momento
político – a ditadura Vargas – exigia maior disciplina, tanto
moral quanto política, entre clubes e federações.
A iniciativa para a resolução dos conflitos partiu
dos presidentes do Vasco, Sr. Pedro Novaes, e do América,
Sr. Pedro Magalhães Corrêa nos seguintes termos:
- Os clubes da LCF e da FMD fundarão
uma Liga que contará com uma única divisão;
- A divisão será constituída
pelos clubes América, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama,
Madureira Atlético Clube, Botafogo, Bangu, Bonsucesso Futebol
Club e São Cristóvão de Futebol e Regatas;
- Até o fim do ano de 1937
serão agregados os clubes Andaraí, Campo Grande
Atlético Clube, Associação Atlética
Portuguesa e Olaria Atlético Clube;
- A nova liga filiar-se-á
à Federação Brasileira de Futebol, que por
sua vez, será filiada à CBD;
- Caso a FBF venha a se extinguir,
os clubes e ligas filiados a ela passarão a pertencer à
CBD.
Dessa maneira, acontece
a tão desejada fusão entre a LCF e a FMD, em 29 de
julho de 1937, surgindo então a LIGA DE FOOTBALL DO RIO
DE JANEIRO – LFRJ, presidida por Antônio Avelar. Os presidentes
do Vasco e América promoveram um amistoso entre os dois clubes
para comemorar a pacificação do futebol carioca. Daí
surgiu a designação ‘Clássico da Paz’ para
os jogos realizados entre América X Vasco. O primeiro campeonato
da fusão foi realizado entre os nove clubes fundadores e
os três ‘agregados’.
No Brasil do Estado-Novo,
quando já se falava de intervenção governamental
no futebol através do controle dos clubes e federações
desportivas, o presidente Getúlio Vargas edita o decreto-lei
nº 3.199 de 14 de abril de 1941, estabelecendo as novas bases da
organização dos desportos no país. A partir
da entrada em vigor da nova legislação federal, é
instituído o Conselho Nacional dos Desportos – CND
como entidade reguladora da atividade esportiva no Brasil, cujo
presidente era o Sr. Luiz Aranha. Este, também era o presidente
da CBD que por força da oficialização esportiva
federal, incorpora a Federação Brasileira de Futebol.
Dentre as modificações com fins disciplinadores verifica-se
a padronização dos nomes das entidades estaduais,
que deveriam se denominar, a partir de então, ‘Federação
de Futebol’. Assim, no Rio de Janeiro, a Liga de Football –
LFRJ muda sua denominação para FEDERAÇÃO
METROPOLITANA DE FUTEBOL – FMF. Uma das novas mudanças
impostas à FMF, foi a utilização das regras
da FIFA para as competições, que passariam a ser disputadas
em 2 tempos de 45 minutos, estando proibida a substituição
de jogadores. Além disso, deveria haver jogos sendo realizados
aos domingos. O campeonato carioca foi disputado por 10 clubes tendo
como vencedor o Fluminense.
A política
autoritária Varguista dá lugar, na década de
50, a uma ação de modernização conservadora
que atinge em cheio o esporte brasileiro. A inauguração
do Maracanã, a construção da nova capital federal
– Brasília – e mudanças na estrutura econômica
do país, são exemplos dessa onda progressista. À
reboque da modernização, tem início a profissionalização
do futebol fluminense, introduzida pela FEDERAÇÃO
FLUMINENSE DE DESPORTOS – FFD, fundada em 7 de janeiro de 1925,
com sede em Niterói. As competições de profissionais
pela FEDERAÇÃO FLUMINENSE passaram a ser realizadas
a partir da criação, em 28 de dezembro de 1951, da
Divisão Estadual de Profissionais (D.E.P.) e do estabelecimento
de seu Primeiro Campeonato Fluminense de Profissionais, tendo sido
o primeiro jogo disputado em 27 de abril de 1952, sendo o primeiro
campeão profissional o Adrianino A.C. O então presidente
era o Professor José Ramos de Freitas. Inicialmente, filiaram-se
ao D.E.P da FFD, aos moldes do profissionalismo, os seguintes clubes:
Barra Mansa F. C., Central E.C.(Barra do Piraí), Clube dos
Coroados (Valença), Esperança F.C.(Nova Iguaçu),
Fonseca A.C. (Niterói), Adrianino A.C.(Engenheiro Paulo de
Frontin)
Quando as bases do
profissionalismo estavam se sedimentando no interior do estado,
uma liga municipal tem destaque especial: a LIGA CAMPISTA DE
DESPORTOS – LCD. A LCD era a mais forte entidade municipal do
futebol do Estado do Rio de Janeiro, tendo entre seus filiados clubes
como o Americano F.C., C.E. Rio Branco e o Goytacaz F.C., Campos
A.A., Municipal F.C. e S.C. São José. Adotou o profissionalismo
no ano de 1952, filiando-se ao D.E.P da FFD e realizando no segundo
semestre desse mesmo ano o Campeonato Campista de Profissionais.
Em 21 de abril de
1960, a capital federal do país é transferida para
Brasília. O antigo distrito federal transforma-se em Estado
da Guanabara. O município do Rio de Janeiro passa a ser
capital do Estado da Guanabara. Nesse ano, a FEDERAÇÃO
METROPOLITANA DE FUTEBOL, que continuou atuando na Guanabara, troca
a denominação para FEDERAÇÃO CARIOCA
DE FUTEBOL – FCF. Realiza-se, então, o primeiro Campeonato
de Futebol do Estado da Guanabara disputado pelos clubes grandes
do Rio (12 profissionais e aproximadamente 20 amadores), tendo como
vencedor o América.
Enquanto isso, no
Estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói, os clubes
do interior disputavam outro Estadual, o Campeonato Fluminense de
Futebol, realizado pela FEDERAÇÃO FLUMINENSE DE
DESPORTOS – FFD.